Normalmente, quando a generalidade das pessoas pensa em orientações sexuais, vêm-lhe à mente as chamadas “monossexualidades”, ou seja, a heterossexualidade e a homossexualidade. Porém, e até nos próprios meios LGBT (não esquecer que o B aqui se refere aos bissexuais), as pessoas bi são esquecidas. Já para não referir aqueles que dizem que a bissexualidade é coisa que não existe, que é, por ventura, o maior insulto para os bissexuais.

E, mesmo quando não falamos em questão de preconceito, há muito para descobrir sobre a bissexualidade. E que tal falarmos de algumas das principais curiosidades sobre as pessoas bissexuais. Vamos a isso!

Primeiro que tudo, você sabia que não há apenas um grau de bissexualidade? Em 1948, o estudioso Alfred Kinsey (1894 – 1956), um pioneiro no estudo da bissexualidade, publicou uma escala com sete graus (mais tarde, acrescentaria um oitavo, que se refere à assexualidade) de orientação sexual, que vai do indivíduo exclusivamente heterossexual ao exclusivamente homossexual.

Entre esses dois extremos da escala, há seis graus: predominantemente heterossexual, apenas acidentalmente homossexual; predominantemente heterossexual, embora homossexual com frequência igualmente heterossexual e homossexual; predominantemente homossexual, embora heterossexual com frequência; e predominantemente homossexual, apenas acidentalmente heterossexual.

Parece complicado, mas não é: basicamente, uma pessoa que tenha atração pelos dois sexos pode envolver-se mais ou menos com o mesmo sexo ou com o sexo oposto ao longo da vida.

Ainda que a demografia da orientação sexual seja algo difícil de medir, principalmente porque há pessoas que, devido ao estigma, mentem em relação à sua orientação sexual, há algumas estatísticas sobre a percentagem de pessoas bissexuais:
– Em 2013, uma amostra de mais de 2000 brasileiros apresentou 5% de pessoas bissexuais;
– Em 2012, no Canadá, entre 2700 pessoas, 1,3% declarou-se bi;
– Em 2014, um estudo com 10 mil pessoas apresentou 4% de homens bissexuais e 2% de mulheres bissexuais.

Um estudo feito nos EUA em 2013 mostrou que os bissexuais tinham mais tendência a não revelar a sua orientação sexual às pessoas mais próximas do que quem se declarava homossexual: 70% dos homossexuais afirmaram estar fora do armário para o seu círculo de pessoas mais próximas, enquanto entre os bissexuais o número era de apenas 28%.

Há alguns estudos sobre o impulso sexual nas pessoas bissexuais, que sugerem que elas apresentam mais interesse erótico e mais atividade sexual que os heterossexuais e homossexuais. Entre esses estudos, também se sugere que os homens bi têm mais relações sexuais com mulheres do que os homens hetero, mas que têm menos casamentos felizes que esse último grupo de homens.

Já do lado das mulheres bissexuais, em geral elas afirmavam ter mais orgasmos por semana que as mulheres heterossexuais e que esses mesmos orgasmos eram mais intensos que o das mulheres com atração apenas por homens. Contrariamente aos homens bissexuais, as mulheres bi apresentavam, na generalidade, mais casamentos felizes que as suas correspondentes hetero.

Porém, um estudo realizado em 2006 associa o maior interesse sexual à atração pelos dois sexos, mas apenas no caso das mulheres. No caso dos homens, um maior interesse sexual está mais associado à atração apenas por um sexo ou à atração mais prevalente por um deles.

Sabia que há um dia dedicado à Visibilidade Bissexual? É isso mesmo. Marque no seu calendário: celebra-se a cada dia 23 de setembro.

A palavra bissexual tem as suas origens na década de 1820. Porém, originalmente referia-se a um ser vivo que apresentava os dois sexos (ou seja, hermafrodita). Apenas em 1914 a palavra passou a ser utilizada com a aceção atual.

Freud considerava que todos somos potencialmente bissexuais e que essa possível atração pelos dois sexos poderia vir a concretizar-se ou não.

A bissexualidade não se encontra apenas nos humanos: cerca de 1500 espécies animais apresentam comportamentos bissexuais.

Na antiga Roma, era totalmente aceitável que um homem tivesse sexo tanto com mulheres como com homens.

Há estudos que sugerem que a bissexualidade masculina possa ser genética: os homens com cromossomas Y extra apresentam mais tendência para a bissexualidade.

A aversão ou discriminação contra pessoa bissexuais denomina-se de bifobia.

A bissexualidade possui os seus próprios símbolos. Entre os principais, estão a bandeira tricolor (com faixas horizontais magenta, violeta e azul) – denominada de bandeira do orgulho bissexual -, dois triângulos invertidos e duas luas (ambos com as mesmas cores).

Entre os famosos lusófonos que se declararam bissexuais estão as cantoras brasileiras Daniela Mercury e Ana Carolina e o ator português Marco Delgado.

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